Guitarrista da banda, que grava DVD ao vivo no fim de semana, avalia os dez anos de carreira.
( Não é nova a entrevista, é de maio/2011. Porém acho que muita gente ainda não viu, porisso estamos publicando)
Um giro do relógio pode criar heróis ou destruir sonhos e carreiras. Há pouco mais de três anos, o NX Zero era a bola da vez, a novidade do cenário teen. Canções como “Cedo ou Tarde”, “Pela Última Vez” e “Razões e Emoções” embalavam romances e festinhas adolescentes. O grupo paulistano ajudou a pavimentar um cenário que havia sido forjado pelo CPM 22 no início dos anos 2000. O hardcore melódico – ou emo para alguns – amealhava fanáticos e inimigos numa proporção quase idêntica. Mas as capas de revista que antes estampavam o vocalista Di, os guitarristas Gee e Fi, o baixista Caco e o baterista Daniel, hoje preferem personagens mais coloridos. Resignado, o NX Zero entende os movimentos do mercado. “Analisamos todo o cenário, nos preocupamos muito com o seguimento da nossa carreira”, conta Gee, de 24 anos, o principal compositor da banda junto com Di Ferrero. O show no sábado (14/5) é uma amostra da força do NX Zero, que aproveita a gravação de seu primeiro DVD ao vivo para comemorar 10 anos de carreira, no Via Funchal. Nele, convidados como os rappers Emicida, Rincon Sapiência, Rappin Hood e Negra Li, que participaram do mais recente trabalho da banda, intitulado “Projeto Paralelo” – no qual músicas do NX Zero foram recortadas e transformadas num hibrido de rap e hardcore – estarão presente. Além de um DVD, o show se transformará num especial do canal de TV Multishow.
Época São Paulo: Quando surgiu a ideia de comemorar os dez anos da banda com um DVD ao vivo?
Gee: Desde o “Projeto Paralelo” queríamos fazer um projeto ao vivo, mas acabamos só marcando para este ano, uma coincidência com a data. Não marcamos para ser o DVD dos dez anos do NX Zero.
O show de sábado vai ser uma retrospectiva da carreira de vocês?
Tentamos equilibrar músicas de todos os discos. Este show do DVD é especial, vamos tocar quatro, cinco músicas de cada disco. Dos CDs independentes estamos tocando uma ou outra, mais porque os fãs iriam ficar chateados se não estivessem neste show.
Vocês não são muito novos para comemorar dez anos de carreira (a média de idade dos integrantes do grupo é de 24 anos)?
Muita gente ficou surpresa com esse número, mas temos cinco anos de trajetória independente e cinco no mainstream. Graças a Deus passamos pelo independente e hoje podemos aproveitar tudo isso. Estou muito feliz de poder gravar este DVD com esta estrutura toda. Estamos na nossa melhor fase, respeitamos um ao outro, entendemos o que cada um faz na banda e temos uma sintonia muito boa com o Rick (Bonadio, o empresário e produtor do grupo), com a gravadora e com os nossos fãs.
Nestes dez anos, vocês também devem ter passado por momento ruins.
Quando o Yuri (Nishida) saiu da banda foi horrível (em 2004). O cara era o vocalista, um dos fundadores do grupo. Eu achei que não daria mais certo, pensamos em desistir e foi desesperador porque nossas famílias dependiam daquele dinheiro. Mas superamos muito bem a saída dele. Já quando tocamos no Parque Antártica com o CPM 22, no final de 2006, percebi que poderíamos chegar aonde chegamos. Tocamos em um estádio pela primeira vez, tínhamos acabado de assinar com a Arsenal e todo mundo cantou a música “Além de Mim”. Foi um marco. Me fez ter certeza de que eu queria fazer isso pro resto da minha vida. E eu tinha apenas 19 anos.
Vocês têm a percepção de que o sucesso pode ser efêmero? Vamos pegar o exemplo do CPM 22, que era a banda queridinha dos adolescente e hoje voltou a ser independente depois de ter brigado com o Rick Bonadio.
Vimos vários problemas acontecendo, não só com o CPM. E olha, não tem certo e errado nisso. Nós tentamos nos respeitar ao máximo, cada um tem o seu ego, cada um cria do seu jeito. Eu imagino o NX Zero como cinco sócios, cinco donos, mas que se respeitam. Nunca tivemos treta nenhuma com o Rick. Eu e o Diego escrevemos músicas o tempo todo e vivemos nossa carreira 24 horas por dia. Estamos produzindo este DVD, mas já escrevemos dez músicas novas que vão entrar no próximo disco. Isso ajuda a não tirar o foco da banda e da nossa carreira. O NX Zero veio pra ficar.
Vocês ficaram ricos? O que comprou com a seu primeira bolada e qual a maior bobagem que você fez com seu dinheiro?
Por mais que no rock seja difícil ganhar dinheiro, nós fazemos o que gostamos. E eu guardei dinheiro nestes últimos cinco anos. A primeira coisa que eu comprei foi um apartamento para a minha família, porque sempre vivemos de aluguel. A maior besteira foi comprar um carro Cherokee, há três anos. Não precisa, sabe. Depois de cinco anos de mainstream, eu percebi que não vale a pena. Só tendo sua casinha e pagando as suas contas tá beleza. Mesmo com a minha namorada morando em Santos. Eu acho que existem coisas mais importantes para investir o seu dinheiro do que um carro.
Por falar em namorada, como anda o assédio da mulherada?
Já foi uma loucura muito grande há uns anos, quando éramos novidade. Em São Paulo é tranqüilo, mas no interior ainda existe o calor da mulherada. Antes, a gente pirava com isso, mas hoje damos valor para outras coisas, temos namoradas e tudo mais.
Você se preocupa em dar exemplo para os mais novos?
Sim, sempre falo pra molecada tomar cuidado. Tem uma galera de 16 anos que acha que já sabe tudo da vida. Eu já mudei muito o meu pensamento dos 16 aos 24 anos. Sabe, eu torço pra essa galera estudar, ter uma profissão, fico preocupado quando vejo um bando de meninas tatuando o logo da nossa banda no braço, na mão. Digo para elas fazerem isso em lugares mais escondidos, para não se prejudicarem mais tarde.
Não daria para fazer esta entrevista sem falar do Restart.
Sou muito amigo dos moleques. Eles vieram falar que eram fãs de NX Zero e, realmente, sabem tudo sobre a gente. Eles são a bola da vez, estão estourando. Eu sei como é isso. No começo nos chamavam de emo, tínhamos uma pressão enorme porque todo mundo queria saber se iríamos passar do segundo disco. Eu falo pra eles não esquentarem. O som é super legal e eles vão evoluir muito ainda.
Como o NX Zero vai estar daqui a dez anos?
Tocando, espero. Tenho 24 anos e sou moleque, mas escuto muito o que é bom. Quando ouvi esse último disco do Foo Fighters (“Wasting Light”) fiquei pensando se um dia vou fazer uma composição tão boa como aquelas. É uma parada rock, mas ao mesmo tempo é popular. Eles já viveram muito para chegar naquele disco e eu quero aprender cada vez mais. Nossa carreira tem sido um crescendo. “Razões e Emoções” era uma música perfeita para a época que foi feita. O “Sete Chaves” já foi um álbum mais pesado e o “Projeto Paralelo” uma evolução. Tenho muito orgulho de tudo.
Época São Paulo: Quando surgiu a ideia de comemorar os dez anos da banda com um DVD ao vivo?
Gee: Desde o “Projeto Paralelo” queríamos fazer um projeto ao vivo, mas acabamos só marcando para este ano, uma coincidência com a data. Não marcamos para ser o DVD dos dez anos do NX Zero.
O show de sábado vai ser uma retrospectiva da carreira de vocês?
Tentamos equilibrar músicas de todos os discos. Este show do DVD é especial, vamos tocar quatro, cinco músicas de cada disco. Dos CDs independentes estamos tocando uma ou outra, mais porque os fãs iriam ficar chateados se não estivessem neste show.
Vocês não são muito novos para comemorar dez anos de carreira (a média de idade dos integrantes do grupo é de 24 anos)?
Muita gente ficou surpresa com esse número, mas temos cinco anos de trajetória independente e cinco no mainstream. Graças a Deus passamos pelo independente e hoje podemos aproveitar tudo isso. Estou muito feliz de poder gravar este DVD com esta estrutura toda. Estamos na nossa melhor fase, respeitamos um ao outro, entendemos o que cada um faz na banda e temos uma sintonia muito boa com o Rick (Bonadio, o empresário e produtor do grupo), com a gravadora e com os nossos fãs.
Nestes dez anos, vocês também devem ter passado por momento ruins.
Quando o Yuri (Nishida) saiu da banda foi horrível (em 2004). O cara era o vocalista, um dos fundadores do grupo. Eu achei que não daria mais certo, pensamos em desistir e foi desesperador porque nossas famílias dependiam daquele dinheiro. Mas superamos muito bem a saída dele. Já quando tocamos no Parque Antártica com o CPM 22, no final de 2006, percebi que poderíamos chegar aonde chegamos. Tocamos em um estádio pela primeira vez, tínhamos acabado de assinar com a Arsenal e todo mundo cantou a música “Além de Mim”. Foi um marco. Me fez ter certeza de que eu queria fazer isso pro resto da minha vida. E eu tinha apenas 19 anos.
Vocês têm a percepção de que o sucesso pode ser efêmero? Vamos pegar o exemplo do CPM 22, que era a banda queridinha dos adolescente e hoje voltou a ser independente depois de ter brigado com o Rick Bonadio.
Vimos vários problemas acontecendo, não só com o CPM. E olha, não tem certo e errado nisso. Nós tentamos nos respeitar ao máximo, cada um tem o seu ego, cada um cria do seu jeito. Eu imagino o NX Zero como cinco sócios, cinco donos, mas que se respeitam. Nunca tivemos treta nenhuma com o Rick. Eu e o Diego escrevemos músicas o tempo todo e vivemos nossa carreira 24 horas por dia. Estamos produzindo este DVD, mas já escrevemos dez músicas novas que vão entrar no próximo disco. Isso ajuda a não tirar o foco da banda e da nossa carreira. O NX Zero veio pra ficar.
Vocês ficaram ricos? O que comprou com a seu primeira bolada e qual a maior bobagem que você fez com seu dinheiro?
Por mais que no rock seja difícil ganhar dinheiro, nós fazemos o que gostamos. E eu guardei dinheiro nestes últimos cinco anos. A primeira coisa que eu comprei foi um apartamento para a minha família, porque sempre vivemos de aluguel. A maior besteira foi comprar um carro Cherokee, há três anos. Não precisa, sabe. Depois de cinco anos de mainstream, eu percebi que não vale a pena. Só tendo sua casinha e pagando as suas contas tá beleza. Mesmo com a minha namorada morando em Santos. Eu acho que existem coisas mais importantes para investir o seu dinheiro do que um carro.
Por falar em namorada, como anda o assédio da mulherada?
Já foi uma loucura muito grande há uns anos, quando éramos novidade. Em São Paulo é tranqüilo, mas no interior ainda existe o calor da mulherada. Antes, a gente pirava com isso, mas hoje damos valor para outras coisas, temos namoradas e tudo mais.
Você se preocupa em dar exemplo para os mais novos?
Sim, sempre falo pra molecada tomar cuidado. Tem uma galera de 16 anos que acha que já sabe tudo da vida. Eu já mudei muito o meu pensamento dos 16 aos 24 anos. Sabe, eu torço pra essa galera estudar, ter uma profissão, fico preocupado quando vejo um bando de meninas tatuando o logo da nossa banda no braço, na mão. Digo para elas fazerem isso em lugares mais escondidos, para não se prejudicarem mais tarde.
Não daria para fazer esta entrevista sem falar do Restart.
Sou muito amigo dos moleques. Eles vieram falar que eram fãs de NX Zero e, realmente, sabem tudo sobre a gente. Eles são a bola da vez, estão estourando. Eu sei como é isso. No começo nos chamavam de emo, tínhamos uma pressão enorme porque todo mundo queria saber se iríamos passar do segundo disco. Eu falo pra eles não esquentarem. O som é super legal e eles vão evoluir muito ainda.
Como o NX Zero vai estar daqui a dez anos?
Tocando, espero. Tenho 24 anos e sou moleque, mas escuto muito o que é bom. Quando ouvi esse último disco do Foo Fighters (“Wasting Light”) fiquei pensando se um dia vou fazer uma composição tão boa como aquelas. É uma parada rock, mas ao mesmo tempo é popular. Eles já viveram muito para chegar naquele disco e eu quero aprender cada vez mais. Nossa carreira tem sido um crescendo. “Razões e Emoções” era uma música perfeita para a época que foi feita. O “Sete Chaves” já foi um álbum mais pesado e o “Projeto Paralelo” uma evolução. Tenho muito orgulho de tudo.

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